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Poço ou abastecimento público?

Saiba quais as vantagens de cada uma das opções.

Bombas e poçosPublicado em 22/02/2018

Esse tema é especial para empresas, empreendimentos de agronegócios, condomínios, prédios, indústrias e outras organizações que necessitam de água em grande quantidade e de qualidade química ótima para o uso em processos industriais ou até mesmo para o consumo humano, dentro do padrão de potabilidade.

O problema do abastecimento irregular

Muitas vezes o empreendedor se vê numa situação na qual a água entregue pela concessionária pública possui baixa qualidade química ou, pior ainda, não tem um abastecimento regular dessa concessionária, sofrendo com falta de água várias vezes durante a semana. É possível encontrar vários casos como esses em algumas regiões litorâneas, grandes centros urbanos e até mesmo em famosas cidades turísticas.

Se esse é o seu caso, existe uma grande chance de você já ter pensado em perfurar um poço para sanar de vez esse problema. Desse modo, teria um suprimento autônomo de água e não dependeria mais da concessionária. Contudo, alguns cuidados devem ser tomados para evitar que essa solução se transforme em mais problemas, pois algumas regiões não possuem água de boa qualidade nas camadas mais superficiais do solo e o poço necessitaria ser profundo para conseguir água de boa qualidade.

O risco do poço raso e barato

Normalmente as empresas tentam fazer a obra do poço da forma mais barata possível e, sendo assim, contratam empresas que nem sempre possuem o ferramental para conseguir chegar até a metragem necessária — muitas vezes acima de 200 m, chegando a até 500 m — e fazem poços rasos, tipo ponteira, que captam água contaminada das camadas superficiais.

Esses poços não vão ter água de qualidade para atender ao consumo humano e necessitarão de tratamento constante, com adição de produtos químicos para corrigir os parâmetros da água que estarão fora do padrão de potabilidade.

Quando ficar com a concessionária

Nesses casos, o melhor seria continuar com a concessionária, pois os custos de manutenção do sistema de tratamento muitas vezes chegam a ser superiores aos valores cobrados pela concessionária na conta mensal. Isso sem falar que a concessionária mantém sempre um controle da qualidade da água oferecida ao público e normalmente o custo por metro cúbico de água é relativamente baixo. Você terá qualidade e tranquilidade sobre esse bem fundamental.

Quando o poço compensa

No entanto, se a região em que você está instalado sofre com falta de água constante — principalmente na famosa “temporada” — e seu negócio necessita ter um suprimento confiável de água, a melhor opção é instalar um poço.

Mesmo que a água não tenha uma qualidade 100% dentro do padrão de potabilidade na saída do poço, os custos de manutenção do sistema de tratamento serão diluídos pelos benefícios de ter água disponível sempre. Hoje em dia existem sistemas compactos de tratamento de água que atuam com floculantes de alta tecnologia, possibilitando sua instalação de maneira fácil a um custo bem atrativo frente aos sistemas tradicionais de filtro simples.

Esses novos equipamentos vêm conseguindo baixar os custos de manutenção ao ponto de serem competitivos até mesmo frente à água da concessionária. Essa solução é muito viável para negócios que necessitam de grandes volumes de água como hotéis, restaurantes, lavanderias, empresas têxteis, entre outras que costumam se instalar em regiões litorâneas e de alta concentração populacional.

Esse ganho tecnológico ocorre porque esses sistemas de floculação são mais fáceis de limpar e os produtos químicos de reposição são baratos e sua dosagem é muito baixa durante a operação, gerando uma ótima relação entre custo e benefício.

Cuidados antes de decidir

Claro que existem situações pontuais nas quais você deve pensar muito antes de tomar qualquer decisão entre trocar a concessionária por um poço. Tenha em mente que um poço até 200 m deve custar cerca de 40 mil reais, já contando com os revestimentos e com a bomba instalada. Para qualquer orçamento muito abaixo disso, você deve desconfiar e analisar sistematicamente tudo o que a empresa oferecerá para ver se não há nada inconsistente. Por isso, a dica é fazer ao menos três orçamentos sempre.

Assim, você saberá se os preços ofertados estão dentro do praticado no mercado. Feito isso e constatado que será vantajoso perfurar um poço, examine o seu plano de construção e acompanhe todas as fases da obra, perguntando sempre quaisquer dúvidas que forem surgindo e fiscalizando se estão cumprindo a proposta inicial.

Após finalizada a obra, peça o registro do poço no órgão competente do seu estado e guarde o projeto e o relatório final onde constam as entradas de água e a posição dos filtros e da bomba. Isso será muito importante para futuras manutenções do poço. Por fim, procure sempre se informar mais a respeito desse tema antes de tomar qualquer decisão, pois água é um bem fundamental e indispensável para todos os tipos de negócios e empreendimentos. Consulte sempre empresas e profissionais especializados no ramo.

Perguntas frequentes

Quanto custa perfurar um poço?

Segundo o artigo, um poço de até 200 metros deve custar cerca de R$ 40 mil, já incluindo os revestimentos e a bomba instalada. Orçamentos muito abaixo disso devem ser analisados com atenção. A recomendação é levantar ao menos três orçamentos antes de decidir.

Quando é melhor continuar com a concessionária?

Quando a água disponível exigiria tratamento constante para atingir o padrão de potabilidade. Nesses casos os custos de manutenção do sistema de tratamento podem superar o valor cobrado na conta mensal, e a concessionária ainda mantém controle permanente da qualidade da água.

Quando o poço é a melhor opção?

Quando a região sofre com falta de água constante e o negócio precisa de um suprimento confiável. Mesmo que a água não saia 100% dentro do padrão de potabilidade, os custos de tratamento acabam compensados pela disponibilidade contínua.

Por que poços rasos são um problema?

Porque captam água das camadas mais superficiais do solo, que podem estar contaminadas. Essa água não atende ao consumo humano sem tratamento constante, com adição de produtos químicos para corrigir parâmetros fora do padrão de potabilidade.

O que fazer depois de concluir a obra do poço?

Peça o registro do poço no órgão competente do seu estado e guarde o projeto e o relatório final, onde constam as entradas de água e a posição dos filtros e da bomba. Essa documentação é essencial para as manutenções futuras.

JM

Juliano Magalhães — Químico de Desenvolvimento de Produtos da Leão

Artigo publicado no site da Norte Motores com autorização do autor.

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